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Por que falar de identidade profissional e da carreira que vamos escolher é um assunto tão complexo? Qual é a importância afinal?

Marting Segliman, autor do livro Felicidade Autêntica e pai da Psicologia Positiva desenvolveu junto com Christopher Peterson uma pesquisa por mais de 70 países, com milhares de pessoas, para entender o que faz as pessoas felizes.  A partir dessa pesquisa descobriram que, o que torna as pessoas mais felizes é o momento em que conseguem ativar suas principais forças e virtudes. No fundo todo ser humano busca ser reconhecido, e este reconhecimento em nossa carreira vem por meio da nossa identidade profissional, expressado por áquilo que temos de melhor.

Em média, passamos 59% de  nossas vidas trabalhando, 21% em desenvolvimento e 20% envelhecendo (neste cálculo estou contando apenas as 44 horas normais de trabalho, sem considerar horas extras).  

Te pergunto: onde você passa maior parte da sua vida?

Vamos entender esse número melhor. Em média, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro tem uma expectativa de vida de 75 anos, iniciando a vida profissional aos 16 anos e se aposentando em média aos 60 anos de idade.

Segundo um  artigo da revista EXAME, os brasileiros estão no 5º lugar dos países que passam mais horas trabalhando por semana, veja tabela abaixo:

 

País Horas de trabalho por semana % de jovens que acreditam que vão trabalhar até o dia de sua morte
Suíça 47 horas 6%
Grécia 47 horas 15%
Japão 46 horas 37%
EUA 45 horas 12%
Brasil 45 horas 10%
Noruega 45 horas 9%
França 44 horas 8%
Espanha 43 horas 3%
Alemanha 43 horas 9%
Itália 43 horas 12%
Canadá 42 horas 14%
Holanda 42 horas 12%
Reino Unido 41 horas 12%
Austrália 41 horas 11%

Revista Exame: Por Camila Pati access_time13 set 2016, 14h13 – Publicado em 8 jun 2016, 15h00

Com base nestes dados,  podemos certificar que passamos maior parte do nosso tempo, ou melhor, de nossas vidas, trabalhando. Ou seja, trilhando o caminho de nossa carreira.

Será que podemos escolher qualquer caminho? Será que a escolha da profissão e da carreira que queremos seguir é algo sem importância, que devemos “deixar rolar, e ver no que vai dar”, e ajustar no meio do caminho?

Ou ainda, como infelizmente muitas pessoas vivem até hoje, pensando no dia da sua aposentadoria? Aposentadoria não significa o final de carreira, mas a fase final da vida, onde a energia, o físico e a disposição já não são mais os mesmos de fases anteriores da vida.

Considero uma das escolhas mais importantes da vida de uma pessoa a profissão e  a carreira, pois de fato, é a escolha que vai definir o lugar que passamos a maior parte da vida ativa, dos 16 aos 60 anos de idade em média.

Faça a você mesmo uma das pergunta mais importantes da sua vida: COMO VOCÊ DESEJA PASSAR ESSES ANOS? Olhando o relógio e esperando as horas passarem, os meses e os anos? Ou fazendo aquilo que você é apaixonado e ama fazer, aquilo que expressa quem você é?

Essa escolha depende única e exclusivamente de você. O poder de como viverá a maior parte da sua vida ativa está em  suas mãos. Não está nas mãos de seus pais, professores, superiores, familiares, amigos, governo ou seja quem for. É você quem vai  viver a vida que escolher.

Como você quer ser reconhecido?

Inúmeras pesquisas comprovam que o reconhecimento é um fator importante no ambiente de trabalho. Há evidências de depressão e doenças psicossomáticas que afetam o desempenho e saúde das pessoas devido à falta de reconhecimento. Não basta apenas um cargo, bom salário e benefícios, é preciso um alinhamento com a identidade pessoal que gere reconhecimento.

E falando em identidade, é exatamente por este fato que a escolha profissional é algo tão importante na vida de uma pessoa.  O que nos tornamos como profissional passa a fazer parte de nossa identidade por muitos anos, basta ver como nos apresentamos em certas ocasiões. : “Sou Alexsandra – Administradora” ou “Sou Alexsandra da Way of Coach”,  o primeiro caso representa minha formação principal e outro a minha empresa, faz parte da minha identidade. E muitas vezes passamos anos construindo caminhos em volta dessa identidade.

É muito comum pessoas que se aposentam se sentirem deslocadas, algumas chegam a  ter depressão. Justamente por esse motivo, “perdem uma parte de sua identidade”. Atualmente, existem programas voltados para o planejamento da aposentadoria, programação financeira e reconstrução da imagem do  profissional como pessoa.

O estudo sobre a Teoria da Autodeterminação (Self-Determination Theory – SDT) realizado por Edward Deci e Richard Ryan, da Universidade de Rochester, revela o poder da escolha baseado na vontade própria. Ou seja, decidir única e exclusivamente por si mesmo, gerando a motivação intrínseca, que leva à realização de uma atividade por prazer e não por obrigação, nem pelo resultado.

Segundo a teoria de Deci e Ryan (2002), nós obtemos essa motivação intrínseca quando atendemos as três necessidades inatas do ser humano:

1 – Autonomia: nos primeiros anos de vida, uma criança já expressa a necessidade de estar no controle de sua própria vida, tomar decisões e agir de acordo com o seu eu interior.

2 – Competência: ter a capacidade de realizar e lidar com eficácia com o mundo ao seu redor e realizar as atividades solicitadas.

3 – Relacionamento ou conexão: todo ser humano por mais isolado ou introvertido que possa ser, possui a necessidade e o desejo de interagir, conectar-se com outras pessoas, de fazer o bem.

Essas três necessidades básicas são a base da proatividade, do bom funcionamento e da saúde psicológica das pessoas.

A motivação intrínseca leva as pessoas a alcançar  o bem estar e satisfação psicológicas, que são pré-requisitos para uma vida mais saudável. (Deci e Ryan, 2002). Pessoas cujo trabalho lhes proporciona motivação intrínseca, obtém maior satisfação como um todo.

Escolher uma profissão e fazer disso uma carreira, ou em um conceito até mais amplo, partindo para a vocação, é uma escolha que aflige muitos jovens. Dá aquele frio na barriga, muita indecisão e incertezas,  muitos passam anos frustrados profissionalmente sem se encontrar. Por isso, dê atenção à sua carreira, busque dentro de você o que há de mais valor, quais suas forças e virtudes, quais suas competências, o que você tem de melhor e faça disso sua identidade profissional.